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21 de out de 2012

Cinejor estreia com debate sobre o jornalismo investigativo




A primeira exibição do projeto Cinejor agradou aos que foram até a sede do Sindicato dos Jornalistas de Mato Grosso (Sindjor MT) assistir a um filme, nesse sábado (20/10) comer uma pipoca e debater um pouco sobre o exercício da profissão.

O filme de estreia foi "Scoop - O grande furo", de Woody Allen. O filme fala sobre uma estudante de jornalismo que recebe uma informação que poderá revelar a identidade de um assassino em série. Um furo de proporções incalculáveis, que abalaria as estruturas da aristocracia inglesa. Detalhe: a informação foi revelada à estudante por um espírito de um repórter. A partir disso, a estudante, interpretada por Scarlett Johansson, começa a investigar o caso.

Embora o filme retrate uma situação muito improvável, o longa metragem permitiu um leque amplo de discussão entre estudantes e jornalistas, principalmente acerca do jornalismo investigativo - uma prática tão em desuso nos jornais diários.

Logo depois da exibição, os presentes deram início ao debate falando sobre os limites da investigação.

A jornalista e Diretora de Fiscalização do Sindjor/MT, Luana Soutos, criticou a postura da estudante que, em busca da grande matéria, assumiu uma identidade falsa e chegou a ter uma relação amorosa com o suspeito de assassinato. "Chega a ser uma prática condenável, que envolve uma questão ética", opinou.

Na mesma linha de raciocínio, a estudante de comunicação Laura Gonçalves refletiu que o jornalismo investigativo é uma prática muito delicada e perigosa. "Por que para você usar uma escuta, ou gravação escondida, é necessário uma autorização judicial. E, às vezes, você expõe uma pessoa inocente de modo desnecessário. Nisso, jornalista e jornal ficam sem credibilidade e, ainda por cima, podem sofrer um processo", explanou a estudante.

Já o repórter-fotográfico, Nicélio Silva, ressaltou que o filme também mostra a prática de um jornalismo responsável, que é a de procurar um prova substancial antes de publicar a reportagem. "Muitas vezes, na ânsia de querer dar o furo, os jornalistas, principalmente os mais inexperientes, querem publicar a matéria a qualquer custo, muita das vezes com base apenas em especulações. No filme, a mensagem passada é que antes de se publicar uma matéria bombástica, é preciso apurar o caso até suas últimas consequências", salientou.

O debate em forma de bate-papo também enveredou para outros rumos. A jornalista e presidenta interina do Sindjor/MT, Keka Werneck, falou das matérias factuais que estão pobres de informação. "Existe um problema muito sério que é falta de bagagem cultural de muitos jornalistas. Por exemplo: se na entrevista fulano chama beltrano de comunista, é necessário explicar ao leitor o significado dessa expressão. Explicar quando, de que forma e em qual contexto essa palavra surgiu. E nem precisa ser uma explicação tão longa. Às vezes, acrescentando uma simples frase, o jornalista já explica muito da situação ao leitor".

Jornalistas e estudantes também chegaram ao entendimento de que a questão do furo está ligada aos interesses comercias das empresas de comunicação. "As empresas alimentam no jornalista a busca pelo furo, pela matéria exclusiva com a intenção de vender jornal. Consequentemente, as empresas alimentam a concorrência entre os próprios colegas de trabalho, que ficam se degladiando em busca da matéria exclusiva. Nisso, o jornalista não para pra refletir sobre seu exercício, se realmente aquele furo é importante ou se é apenas jogo comercial. O jornalista não para pra perguntar qual é o papel dele ao informar e levar os fatos à sociedade. Muitas vezes, na correria do dia-dia, não há tempo pra esse tipo de reflexão", analisou Keka Werneck.

Completando o raciocínio, o jornalista e Diretor de Cultura do Sindjor-MT, Marcio Camilo, disse que mais vale o jornalista socializar a informação exclusiva com os demais colegas "do que dar o furo sozinho". "Do ponto de vista social, é bem melhor vários veículos informarem sobre determinado fato. Logo, mais leitores vão se inteirar sobre o fato importante. Jornalista não é artista e não pode se apropriar de uma informação em busca a auto-promoção. A função do jornalista e informar e conscientizar a sociedade", pontuou.

O Cinejor é um projeto desenvolvido pelo Sindjor/MT, que visa promover debates sobre o exercício do jornalismo, por meio da exibições de filmes. O projeto acontece um vez por mês. A ideia surgiu durante as reuniões ordinárias do sindicato, que ocorrem todas as segundas-feiras, a partir das 19h30. A primeira exibição do Cinejor ocorreu no sabádo (20.10), as 17 horas, na sede do Sindjor, que fica na avenida Mato Grosso, sala 2, número 167. 

FONTE: Sindjor/MT

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