Jornalistas têm dificuldade para abordar corretamente delinquência juvenil

Como a mídia trata o jovem em conflito com a lei? Para refletir sobre isso o Sindicato dos Jornalistas de Mato Grosso (Sindjor-MT) foi convidado a compor a mesa de debate “A construção social da delinquência juvenil: do aprendizado ao julgamento”, hoje de manhã, no Centro Cultural da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT). Esta mesa de debate compõe a programação do seminário “Reinserção social de jovens e adolescentes: desafios do sistema socioeducativo”, oferecido a quem trabalha no sistema socioeducativo, de 20 a 21 de março. Ficou claro que de modo geral os jornalistas não estão qualificados politicamente para entender a complexidade do tema e cometem excessos criticados por quem estuda o assunto ou lida no setor.

A representante do Sindjor na mesa, a jornalista Keka Werneck, que é diretora de Mobilização da entidade, disse que não há pesquisa sobre juventude e mídia que dê uma ideia sobre a forma que este assunto é tratado aqui em Mato Grosso. No entanto, várias reflexões, segundo ela, vêm sendo feitas no âmbito do Sindicato.

“Há uma preocupação em compreender esse adolescente infrator inserido em um contexto socioeconômico e não solto no universo. Ele não cai de paraquedas e comete um crime. Mas sim vem de uma família, que vive em um bairro, ele tem uma história e buscar o fio dessa meada é importante para entender o comportamento dele. É preciso observar também o contexto psicológico e cultural que o influencia”, disse Keka.

Na opinião dela, muitas vezes os meios de comunicação dialogam muito mais com a juventude, principalmente a TV e Internet, do que a família, a escola, o Estado. “A TV forma e deforma. A Internet a mesma coisa. Por isso é tão importante os comunicadores saberem o que estão fazendo para que não piorem a situação e sim colaborem na transformação dessa realidade”.

As matérias divulgadas na internet, segundo a sindicalista, denotam também que a sociedade não está preparada para enxergar esse jovem com mais respeito. Os comentários são ofensivos, do tipo “se quer defendê-los, leva para sua casa” ou “esses adolescentes são monstros”.

Para complicar, a delinquência juvenil é pauta factual, quase sempre somente quando uma situação chega ao limite, e não é assunto recorrente de forma reflexiva. “A sociedade consome um notícia de um crime como se fosse um chicletes, mastiga e joga fora e fica por isso mesmo”, critica.

A jornalista destacou a Comissão de Ética do Sindjor-MT. Todos que se sentirem desrespeitados por abordagens equivocadas podem protocolar denúncias, que serão apuradas e possivelmente punidas.

A plenária pediu ao Sindjor-MT que faça formação política junto à categoria sobre esse tema para que mude a abordagem sobre adolescentes que cometem crime.

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