ARTIGO: Qual o papel do profissional assessor e aquele da imprensa no cotidiano?

Jonas da Silva*  

A assessoria de comunicação em uma determinada instituição ou para pessoa física tem sido um dos grandes meios de emprego de profissionais em Mato Grosso. Não há números detalhados, mas se forem somados todos os profissionais sindicalizados eles são cerca de 1 mil, segundo dados de agosto do Sindicato dos Jornalistas de Mato Grosso (Sindjor-MT). Comparado aos postos de trabalho em veículos, boa parte deles se dedica a assessorar empresas, instituições públicas e políticos, principalmente.

A questão é que sempre houve uma relação tumultuada e, às vezes, tranquila de assessores e profissionais de imprensa. Não por menos, há rusgas que destroem a relação. E em muitos casos deterioram ou dificultam o trabalho do assessor. 

Ao trabalhar pela ação de porta-voz institucional ou pessoal, o jornalista assessor deve ter em mente que ele cuida da imagem do seu cliente, vamos dizer assim. E mais, em muitos casos, seu perfil vai sempre estar atrelado a do assessorado. Logo, a opinião pública e muitos colegas da imprensa vão sempre associar seu comportamento às atitudes de assessorados, ou vice-versa. São ônus e bônus juntos. 

Há diferenças de opinião e condução de trabalho entre assessor e assessorado. Mas é gritante igualmente alguns espaços que separam colegas assessores e de mídia, aqueles da redação. Isso tem se intensificado nos últimos anos. É um verdadeiro cabo de guerra. Assessores pressionados pelos chefes para divulgar suas ações e repórteres da imprensa na caça de mazelas ou falhas de assessorados, como é comum a atitude de um dos pilares da mídia, o de fiscalizar.

A questão fundamental a se observar é que independente do lado do balcão em que se encontram, jornalistas assessores e de redação têm que ter um mínimo de convenção de sobrevivência, para o bem da profissão.
Alguns desses conceitos ou princípios se referem a uma prática que não inclua o confronto aberto e direto entre assessor e seu colega de imprensa, em que pese as tensões naturais. O desfecho conhecido é a guerra aberta e a corrosão de qualidades e imagens públicas, principalmente do assessorado perante o público leitor, telespectador e audiência virtual.

Um outro fato a observar é que antes de qualquer preconceito ou ideia pré-determinada, assessores de comunicação e de imprensa e jornalistas de veículos são profissionais. E para tanto, devem manter uma dose mínima de boa conduta, em nome da ética de uma profissão que fala pela comunidade ou ecoa suas angústias, desejos, vitórias ou pontos negativos.

E por fim, o tratamento na relação entre assessor e colegas de mídia deve ser o equilíbrio entre o interesse do assessorado, a utilidade pública e o direito de informar do meio de comunicação.

Como prática corrente em 13 anos de profissão em Mato Grosso, posso dizer que a profissionalização é o caminho mais natural para se ter relação saudável, com resultados e de respeito à opinião pública dos cuidadores de imagens de homens e mulheres públicas, de instituições e de empresas. 

Neste caso, precisa ser extirpado da profissão aquela figura de parente do dono da empresa ou do filho de político ser assessor. Ou a confusão frequente de muitos de que assessoria é um bico, uma forma de só ganhar um dinheiro tranquilo, diferente da máquina de fazer doido e do ritmo industrial da notícia na mídia. 

O fato é que não existe receita. E nem poderia existir, mas enquanto existir vontade pessoal, pensamentos e comportamentos de milhões de pessoas, agora principalmente na fiscalização online das redes sociais, cada vez mais, assessorados terão que se planejar e orientar o conteúdo dos seus atos para convencer com argumentos indefensáveis a opinião pública e colegas de profissão das redações. Tudo em nome da credibilidade de assessores e mídia.

Jonas da Silva é jornalista diplomado, diretor do Sindjor-MT e assessor de comunicação de um deputado federal por Mato Grosso

Comentários

Postagens mais visitadas