DESTAQUE

NOVO PISO: Jornalistas e patrões firmam acordo coletivo de 2017

Da assessoria Após seis rodadas de negociação, mediadas pela Superintendência Regional do Trabalho e Emprego de Mato Grosso, o Sindic...

21 de out de 2011

ARTIGO: O que esperar quando só temos o caos?

Por Marcia Raquel*

Estou sem palavras... Chocada, transtornada. Logo eu, jornalista, sem palavras... A vida é mesmo irônica às vezes. Mas, mais que irônica, a vida está sendo desumana. Acabo de ver uma prévia do que o JN no Ar vai mostrar hoje no Jornal Nacional: o caos da saúde em Cuiabá e Várzea Grande e, consequentemente, em Mato Grosso. Difícil não se desesperar com a imagem de um pai, tentando consolar a filha, vítima de um acidente de trânsito, deitada em uma maca, com a cabeça toda enfaixada em cima de uma poça de sangue, pois o curativo não conseguiu estancar o sangramento. Até quando vamos deixar as pessoas morrerem sem atendimento, sem condições mínimas para atendimento de urgência e emergência? Ninguém mais se importa com vida? Ninguém mais se importa com o ser humano?

Aquilo mais parece um campo de guerra, com pessoas agonizando, deitadas no chão, a espera de alguém que tenha misericórdia e olhe por elas. Meu Deus tenha piedade de quem precisar de atendimento de urgência e emergência por essas bandas. Só me resta pedir a Deus, porque já está claro que quem teria condições de fazer alguma coisa não ouve nem vê nada. Estão todos dopados, sedados, desprovidos de qualquer sentimento de humanidade.

Meu Deus, como é possível gastar milhões com a Copa do Mundo quando não são capazes de dar o mínimo de decência para a saúde? Quem se importa com estádios gigantescos quando o menino que se machucou jogando uma pelada pode perder a perna por falta de atendimento? Quem se importa com VLT ou BRT se as pessoas estão morrendo por falta de atendimento de urgência e emergência?

Até quando vamos inverter as prioridades? Até quando vamos deixar as pessoas de lado? Até quando vamos ignorar quem dá o poder às autoridades? Estamos perdendo vidas, muitas vidas! Não somos descartáveis! 

Quanto é necessário para uma reforma decente no pronto socorro? Quanto é necessário para aumentar os leitos nos hospitais do Estado? Quanto é necessário para recuperar ou refazer o hospital regional? 

Quanto vai para o ralo com gastos públicos desnecessários? Quanto gastamos com publicidade de obras de fachadas? Quanto gastamos com funcionários fantasmas? Quanto vai para o bolso de políticos e administradores desonestos? Quanto dinheiro nosso é usado para benefício de poucos? Sim, a responsabilidade é nossa mesmo! Se não de gerir os gastos públicos, de cobrar eficiência, transparência, honestidade!

Esse balanço é urgente! É preciso acertar as contas e priorizar a vida! Estamos esperando o que? As pessoas morrerem para diminuir a demanda??? A demanda aumenta a cada dia, na mesma proporção que cresce a violência, que tem origem na falta de educação e de políticas sociais que garantam a distribuição de renda. Ou na mesma proporção que crescem os acidentes de trânsito, que por sua vez tem origem, na maioria das vezes, nas estradas e ruas em condições lastimáveis. 

Não sei onde vamos parar. Às vezes tenho medo até de pensar o que minha filha de dois anos vai enfrentar nessa vida.

*Marcia Raquel é jornalista em Cuiabá

Nenhum comentário: