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30 de set de 2011

ARTIGO: Xô Jornalismo do MAL

Por Adoniram Magalhães* em LUTO

Primeiramente não gosto de generalizar, mas não posso ficar calado quando vejo e ouço alguns veículos que não sabem fazer jornalismo. Quando pegam um fato social na mão, ficam perdidos e erram. São completamente sem noção, sem apuração, sem inteligência, sem sensibilidade e sem editores responsáveis.

Veja um exemplo da reprodução de um FATO:

1 -Toni Bernardo da Silva, homem de 27 anos, universitário proveniente de Guiné Bissau, morto em Cuiabá em uma pizzaria a ponta pés, segundo testemunhas a agressão durou 10 minutos. Os suspeitos (porque ainda precisam ser julgados) são: o empresário Sérgio Marcelo da Silva Costa, de 27 anos e os policiais militares Higor Marcell Mendes Montenegro e Wesley Fagundes Pereira, ambos de 24 anos, que foram detidos em flagrante.

Esse foi um fato que ocorreu na madrugada de quinta-feira (22) em Cuiabá, e todos os veículos publicaram o acontecido. Só que alguns veículos publicaram e ainda publicam o fato de uma forma estranha, parecem até que estão procurando justificativa para o fato, desvirtuando o foco da morte de um ser humano que poderia ser brasileiro, africano ou iraquiano.

Veja o exemplo fictício do jornalismo do MAL:

2 -Toni Bernardo da Silva, africano de 27 anos, segundo informações usuário de drogas, brigava com a namorada, inadimplente na universidade, foi morto em Cuiabá em uma pizzaria. Os suspeitos foram: um empresário e dois policiais.

O leitor que está distante do fato ao se deparar com o exemplo 1, vai automaticamente se situar na situação e sensibilizar com a morte e lutar de uma forma direta ou indireta para que a justiça seja feita, e que os culpados sejam punidos por tanta barbárie injustificável.

Já o leitor do texto 2, que também está distante do fato, vai ter uma reação mais dividida. Tende a dar mais importância para o negativismo do sujeito assassinado do que para o negativismo de quem assassinou. A opinião desse leitor já estará corrompida.

Se o Toni era usuário de drogas, se torcia pelo time X ou pelo Y, se amava cachorro ou gato, se calçava 40 ou 42, se gostava de jiló ou de pequi, isso não importa mais, nenhuma contradição justifica uma morte!
A informação é poderosa, por isso se deve ter muito cuidado com cada notícia veiculada, senão o réu pode virar o mocinho e o mocinho virar réu.

A função do jornalismo é não ter rabo preso com ninguém, apenas com a veracidade do fato e acompanhar o desenrolar dos fatos, como: se haverá a devida punição aos homicidas e outras instâncias indiretamente responsáveis. Se o jornalismo se atentar a essas duas formulas básicas, com certeza terá a credibilidade que os veículos tanto almejam, caso contrário, formará opiniões cheias de moralismo e de injustiça, alimentando essa sociedade do MAL.

Se o jornalismo do Mal só quer lucrar sobre um fato tão delicado, é melhor largar mão do jornalismo, por que a arte de comunicar foi pensada para o bem comum social e não para manchetes oportunistas. O lucro no JORNALISMO DO BEM não existe, o que existe são infinitas boas informações.

Que a paz esteja com todos nós!

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