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8 de ago de 2011

ARTIGO: Uma saída


Por Luis Fernando Veríssimo

Fora os falsários, só americanos podem imprimir dólar. E o dólar, apesar de combalido, ainda é a moeda padrão do mundo. É por isso que letras do tesouro americano são os títulos preferidos de investidores internacionais. E é por isso que os mais nervosos com a possibilidade de os Estados Unidos darem um balão na praça, inclusive não honrando suas letras do tesouro, não eram os americanos. Eram os chineses, seus maiores credores.

Pode-se até imaginar uma reunião de emergência do comitê central do partido comunista chinês para discutir a crise americana.
– Mas que capitalismo de araque é esse? (Nota: a palavra usada não foi “araque”.)
– Em que mundo vivemos, se não se pode mais confiar nem no tesouro americano?!
– Foi para isso que fizemos a Longa Marcha com Mao, sacrificamos milhões de chineses, industrializamos o país na marra, invadimos as lojas 1,90 do mundo com os nossos produtos? Para botar nosso dinheiro na mão de irresponsáveis?
– Há uma real possibilidade de nos darem um calote, se não se entenderem. Será nossa ruína. Onde estão a ética nos negócios e a moral cristã quando precisamos dela?
– Temos que nos defender.
– Há uma saída.
– Qual?
– Executamos a dívida. Eles não têm como pagar, portanto não têm como recusar nossa oferta.
– Você quer dizer...
– Sim. Compramos os Estados Unidos.
– Humm. Pode dar certo.
– Substituímos o moreno por um presidente permanente e um comitê central. Acabamos com essa frescura de dois partidos, responsáveis pela lambança atual, e instalamos um partido único com plenos poderes. E damos um jeito na economia deles. Não somos o maior exemplo de economia de mercado bem-sucedida no mundo, hoje? Vamos mostrar a esses americanos como se faz capitalismo de verdade.
– Grande. E teremos outra vantagem, comprando os Estados Unidos.
– Sei o que você vai dizer. A Julia Roberts será nossa.
– Melhor do que isso.
– O que?
– Vamos poder imprimir dólar!

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