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11 de jul de 2011

"News of the World" chega ao fim, porque o jornal tinha "perdido o rumo"

Nove jornalistas e três policiais podem ser detidos em breve por causa das escutas ilegais do tabloide. 

Há muito que o "News of the World" tinha vendido a alma ao diabo, mas ontem (10/07) o carrasco da vida privada foi finalmente morto e enterrado. "Obrigado e adeus", em letras garrafais brancas, foi a última capa do tabloide britânico, após 168 anos de existência. A edição de despedida, que agradece aos "7,5 milhões de leitores fiéis", teve direito a 5 milhões de exemplares de tiragem - mais 2 milhões que o habitual - e conta ainda com o próprio obituário do jornal. 

No interior da publicação, o editorial de quatro páginas pede desculpa aos leitores e justifica-se: "Simplesmente perdemos o rumo". Mas não assume responsabilidades. Assinalando os "altos padrões" exigidos aos jornalistas, o tabloide diz estar agora "dolorosamente consciente de que, durante um período de vários anos até 2006, algumas das pessoas que trabalharam conosco, ou em nosso nome, vergonhosamente não alcançaram estes padrões".

"Escutas telefônicas foram feitas, e este jornal pede por isso as suas sinceras desculpas. Não existe justificação para esta conduta vergonhosa. Não existe justificação para a dor causada às vítimas, nem para a profunda nódoa que deixaram na nossa história". De acordo com o "The Sunday Times", pelo menos nove jornalistas e três policiais poderão ser detidos em breve por envolvimento no caso.

O escândalo, que rebentou em 2006, intensificou-se na semana passada após os jornais "The Guardian" e "The Daily Telegraph" terem revelado que trabalhadores do jornal tinham, na última década, interceptado chamadas telefônicas de cerca de 4 mil pessoas. Não só políticos e celebridades, mas também familiares de vítimas de atentados terroristas ou de soldados mortos nos conflitos do Iraque e Afeganistão e da jovem Milly Dowler, após ter sido assassinada.

A história remonta a 2002 e os pais da garota britânica de 13 anos, que desapareceu no caminho da escola para casa, alimentaram esperanças de que a filha poderia estar viva, pois mensagens do seu celular tinham sido apagadas. Como se veio a provar, o mistério tinha a mão do "News of the World" e o corpo de Milly foi encontrado seis meses mais tarde.

No mês passado, Levi Bellfield, de 43 anos, foi considerado culpado pelo homicídio e condenado a prisão perpétua. Segundo a BBC, a família de Dowler irá reunir-se hoje com o primeiro-ministro britânico, David Cameron, e o vice-primeiro-ministro, Nick Clegg, para falar sobre as investigações independentes em torno do escândalo das escutas telefônicas. 

O proprietário do defunto, o magnata australiano naturalizado norte-americano Rupert Murdoch, aterrou ontem em Londres com a última edição na mão - que nas 48 páginas voltou a publicar algumas histórias exclusivas como a relação de David Beckham com a sua assistente Rebecca Loos (2004) ou a relação do actor Hugh Grant com a prostituta Divine Brown (1995) - para dar a cara pela polêmica. O encerramento do "News of the Screws" (como também era conhecido), que detinha há 42 anos, poderá afetar o seu grupo de comunicação News Corp, proprietário do jornal. A viagem tem como objetivo principal evitar que o escândalo ponha em causa a sua oferta de 9 bilhões de euros para controlar na totalidade o grupo de televisão BSkyB, da qual já possui 31%.

Por sua vez, David Cameron prometeu na sexta-feira novas regras para a imprensa britânica e um inquérito minucioso para apurar as falhas da polícia e dos políticos, após o seu porta-voz e antigo diretor do "News of the World", Andy Coulson, ter sido detido por envolvimento nas escutas. O primeiro-ministro britânico aproveitou a ocasião para explicar a sua ligação a Murdoch, que apoiou a sua eleição em 2009, argumentado que os seus antecessores trabalhistas também adotaram a prática de procurarem o apoio dos barões da comunicação social.

Fonte: Ionline.pt

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