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25 de jun de 2011

ARTIGO: Famigeradas greves?

Por Keka Werneck*

Há pelo menos 12 anos parece ser senso comum que o momento não está para greves. 

Ao levar lideranças sindicais ao alto escalão federal, o então presidente Lula, forjado em intensos e comoventes movimentos grevistas no ABC paulista, parecia ter decretado o fim desse instrumento histórico e contundente de luta social. 

Nesses 12 anos, alguns poucos movimentos classistas insistiram em manter a prática da greve, apesar de Lula e do ideário de que o Brasil não precisava mais disso.

Greves, nesse período, foram tratadas, a grosso modo, como picardia de gente sem noção temporal, histórica, política. 

Nesse primeiro semestre de governo Dilma aquelas factuais greves de menor potencial ofensivo parecem se alastrar em diversos segmentos.

Em Mato Grosso, professores da rede estadual estão parados, assim como servidores do judiciário e os técnico-administrativos da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT). Só para citar alguns desses movimentos paredistas... 

O bloco dos braços cruzados vem crescendo a olhos nus, de forma que a notícia greve está a cada dia mais na pauta do país.

Famigeradas greves! O senso comum não gosta disso. A mídia, via de regra conservadora e elitista, critica. 

O discurso construído é o de que, se há greve na Educação, pais ficam preocupados. Quando a saúde pública pára por conta de uma greve, isso é omissão com os pacientes. Já no judiciário, o foco é o acúmulo de processos. Por aí vai... 

Acontece que, com o a proposta a cada dia mais acachapante do lucro, os trabalhadores se sentem mal remunerados, adoentados, sem tempo para nada (só trabalhar, trabalhar e trabalhar) e sem perspectiva de reviravolta social significativa, o que gera baixa-estima na massa populacional. 

Além do mais, já há um século trabalhadores brasileiros fazem greve. A primeira foi em 1917, inspirada pelo anarquismo, em São Paulo. Operários, na ainda imatura porém promissora produção fabril, se rebelaram contra o capital, cobrando direitos, denunciando abusos e doenças laborais. 

O cenário aponta que Lula não decretou o fim da greve. E que Dilma não tem o mesmo carisma dele para segurar as “rédeas” das massas.

Quer queiramos ou não, o período, para greves, é de ascenso.

Afinal, greve não é chocolate, não é para se gostar. É um mal necessário, muitas vezes urgente, enquanto houve opressão na correlação de forças do trabalho. 

Keka Werneck é jornalista em Cuiabá

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