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25 de jun de 2011

Quais ditaduras?



Por Keka Werneck

Para aplacar boa parte das nossas ignorâncias, filmes!

Uganda. País de população negra, de natureza exuberante, localizado em região de planaltos, no centro-leste do continente africano. É lá que vive o gorila-das-montanhas, espécie severamente ameaçada de extinção, primata cuja constituição orgânica é a que mais se assemelha à humana, depois do chimpanzé.

Uganda só conquistou a independência da Inglaterra em 1962. Tem cerca de 30 milhões de habitantes, fala 39 línguas, sendo oficiais o inglês e a suaíli.

Essa terra africana esculpe homens deslumbrantes e singelas princesas. É lugar de gente muito bonita, forte, preta, de olhos redondos, tipo jaboticabas, largos sorrisos alvos. É lugar das tranças no cabelo, das roupas coloridas, de belas paisagens.

É lugar também de gente muito empobrecida, onde 33,2% da população não sabe ler e escrever. Lugar de históricos conflitos políticos. De fome e enfermidades básicas, como as causadas pela desnutrição e inanição.

São cristãos 83,9% dos ugandenses, que também mostram-se místicos e respeitam seus curandeiros, talvez até mais que médicos alopáticos.

Em extensão territorial, a Uganda tem a metade do Paraguai, apenas.

Uganda, capital: Campala!

É nesse país que o diretor Kevin Macdonald mergulha os atores Forest Whitaker, 50 anos, e James McAvoy, 32, em um drama histórico, baseado em fatos reais. O filme “O Último Rei da Escócia” (2006/Inglaterra-EUA) narra, buscando ser verossímil, o golpe de estado que elevou ao poder o militar Idi Amin Dada, em 1971.

Whitaker simplesmente incorpora o ditador Amin, carismático e paranóico líder populista, que faz o discurso de tirar a Uganda da profunda miséria e transformá-la em um país livre, livre!!! Livre!!!!

Nos bastidores, porém, mostra-se um líder inseguro, imaturo, inconsequente, egocêntrico e sanguinário.

Nessa farsa entre discurso e prática, Amin comandou a Uganda até 1979 e matou 300 mil ugandenses das formas mais violentas imagináveis nos porões e em silêncio, como em todas as ditaduras.

Na trama, McAvoy vive um vibrante médico escocês, que é a parte ficcional permitida pelo diretor. Depois de formado, após um jantar entediante com os pais – escoceses tradicionais – o rapaz entra para o quarto, mostra-se sufocado com aquela vida batida, ao ponto de dar um berro bem alto. Depois, roda um globo terrestre e, em seguida, resolve se mudar para o lugar onde o dedo aponta: Uganda! O personagem se anima com a possibilidade de ser útil...

Dr. Nicholas Garrigan, embora não passe de um aventureiro bem intencionado, acredita no discurso do ditador Amin e vai prestar serviços ao governo, sendo de fato útil, isso sim, a um déspota populista, sem perceber. Demora muito tempo para o médico conhecer o sangue no subsolo do governo Amin e vê isso da pior forma possível, sendo também vítima da violência e do punho que, vez por outra, assola países, seus povos.

O filme, além de ser uma história incrível e da interpretação brilhante dos atores, faz pensar sobre os riscos do discurso populista mascarando realidades, esvaziado em si mesmo; sobre farsas políticas e traições, que são muitas; sobre as várias formas de ditadura possíveis, que são tantas...inclusive as que parecem não ser e são, enquanto outras, que parecem ser, não são.

O filme faz ainda pensar sobre o tanto que o cinema é uma arte fantástica, educativa, divertida, envolvente e urgente.

* Keka Werneck é jornalista em Cuiabá

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