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1 de mar de 2011

Projeto Paralelo 15



Diário de bordo

Iniciamos a segunda etapa de nossa viagem saindo de San
Ignacio em direção a Concepcion e depois a Santa Cruz de La
Sierra, num trajeto de 454 km em estradas de terra e asfalto.
Logo após San Ignacio nos deparamos com uma sucessão de
pequenas e adoráveis Comunidades Chiquitanas, algumas
pareciam estar paradas no Sec.18 pela arquitetura rústica e
tradicional e pela simplicidade do modo de vida.
Atravessamos 11 comunidades ao longo da estrada, mas existem
pelo menos 30 delas e agora todas tem acesso à energia elétrica
através de um programa governamental chamado "Luz Elétrica
24 horas", uma versão do "Luz para Todos" do Lula.
Chegar em Concepcion, a 164 km de San Ignácio foi um pequeno
choque, pois o caos dos mercados fervilhantes de pessoas, carros,
motos e na sequência entrar no centro histórico e se deparar
com uma área enorme totalmente conservada e restaurada, com
arquitetura colonial e Jesuítica e uma grande Igreja do Séc. 17
em meio a um grito de carnaval com som muito alto na praça em
frente a este Patrimônio da Humanidade acabou produzindo uma
confusão mental e uma emoção difícil de descrever.
Ficamos chocados com a bagunça tipicamente brasileira e o
cenário urbano totalmente inesperado, todo o centro histórico
conservado e um visual arrebatador, pensamos em ficar por
lá mesmo e descartar a ida a Santa Cruz, pois a promessa de
encontrar este cenário e nossa surpresa foram de tal monta que
ficamos um pouco confusos.
Procuramos um local com internet para postarmos nosso diário
de bordo dos dois primeiros dias quando não conseguimos
acessar a internet em parte alguma e perguntamos a um rapaz
de uns 16 anos que trabalha com vendas na parte turística de
Concepcion. Sua resposta foi de que não havia internet aberta
e que a mesma era sempre muito lenta e então ele disparou a
queima roupa "Eles não querem se conectar", entendi na hora,
realmente um povo sem condições de acessar e ser acessado pela
internet perde oportunidades em todas as áreas, fica prá trás ,
não se articula nem conspira, fica com dificuldades de evoluir
plenamente, quem sabe o Evo Morales e a Dilma se juntam e
criem o Programa "Internet para todos".
Todos sairão ganhando, tenho certeza.
Depois da frase do jovem boliviano, nossa ficha caiu e decidimos
continuar o percurso até Santa Cruz, já era o meio da tarde e
tínhamos ainda uns 290 km de estrada pela frente.
Seguimos por um asfalto esburacado, mas asfalto, em meio à
morrarias com muitas pedras, florestas e pequenas fazendas.
E chegamos a San Javier ou San Xavier, a primeira das Missões
Jesuíticas, lugar agitado, empoeirado, cheio de bolivianos com
botas montados em motos com espingardas a tiracolo, uma
paisagem urbana perturbada e fascinante e de repente em frente
a uma praça cheia de mato alto como em Cuiabá, um conjunto
arquitetônico com a Igreja e vários prédios Jesuíticos simples e
deslumbrantes.
Fotografamos o possível e prometendo a nós mesmos retornar
e ficar uns dias. Seguimos viagem e entramos nos campos de
agricultura mecanizada que cercam Santa Cruz onde chegamos à
noite num tumulto de trânsito incomparável.
Lembrando que Santa Cruz de La Sierra tem mais de dois
milhões de habitantes, uma atividade comercial enorme, as
maiores riquezas da Bolívia e acabou de completar 450 anos de
existência, isso mesmo, 450 anos de vida.
Estamos nos alojando no Hotel Los Tajibos, o melhor de Santa
Cruz e vamos em busca de comer algo na agitada noite Cruzena.


Fonte e crédito das fotos: Mário Friedlander

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