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22 de mar de 2011

Filme ‘Pixote’ faz 30 anos de polêmica e sucesso

No ano de 1980, a sétima arte brasileira produzia um dos filmes mais polêmicos e premiados do país. Pixote – a Lei do Mais Fraco, lançado em 1981, recebeu indicações como melhor filme estrangeiro para o Globo de Ouro (1982) e ganhou três prêmios internacionais: melhor direção (Festival de Locarno, na Suíça), e melhor filme estrangeiro (Prêmio New York Film Critics Circle Awards, nos Estados Unidos) e no Festival de San Sebastian na Espanha, todos em 1981. A obra mostra a realidade da classe paupérrima e marginalizada da sociedade brasileira.

Ambientado nas ruas de São Paulo, o drama exibe a rotina de jovens que vivem no meio do crime, violência e prostituição. Fernando Ramos da Silva, que interpretaria o protagonista Pixote, de 12 anos, era uma criança que vivia na miséria. Após fazer o filme, recebeu o status de estrela de primeira grandeza, não conseguiu se manter na mídia, voltou à pobreza, envolveu-se com o crime e foi morto aos 20 anos por policiais.

Trinta anos depois

O elenco do filme era formado por artistas renomados, como Marília Pêra, Toni Tornado, Elke Maravilha e Beatriz Segall. Porém nenhum teve tanto destaque quanto Pixote e sua trupe. Em 2011, o filme completa 30 anos e, para falar sobre a película, nada melhor que o ator Jorge Julião (51), que deu vida à jovem travesti, Lilica, de 17 anos. No filme, ela fugiria do reformatório com Pixote e outros. Julião conquistou sua personagem ao realizar vários testes e só depois de três meses que conseguiu inserir Lilica em seu currículo profissional.

“Tinha 19 anos e adorei o desafio. Foi uma experiência fantástica conviver diariamente com a personagem. Todos os atores tiravam a roupa e iam para casa, mas eu continuava todo depilado, cabelos vermelhos e unhas pintadas. Isso não era fácil em 1980, pois ainda não tinham grupos punks e nem emos andando pelas ruas”, relembra.

Os jovens intérpretes tiveram preparações artísticas e psicológicas antes do início das filmagens com a preparadora de elenco Fátima Toledo, que também trabalhou na recente produção “Tropa de Elite”. A cooperação dos atores veteranos também ajudou nas filmagens.“Todos tinham experiência, menos Fernando, o Pixote, é claro. Sabiam que seria importante estabelecer uma ponte com os garotos. Fazíamos exercícios juntos, brincadeiras e muita diversão. Assim, o clima ficava mais relaxado e com mais confiança”. Julião diz ainda ter contato com os meninos que participaram do filme e que sempre fazem reuniões para falar da vida artística e de planos profissionais.

Pixote – A Lei do Mais Fraco possui uma galeria de cenas fortes e chocantes, como a de crianças que em vez de brincarem de superheróis, encenam assaltos a bancos. Mas para o entrevistado, a cena da morte de um garoto, que, na verdade, seria o namorado de Lilica, foi a mais árdua de ser registrada. Quanto à receptividade do filme, o ator afirma que foi uma surpresa. “Ninguém esperava o sucesso. Sabíamos que estávamos fazendo algo importante, alguma denúncia social, mas o sucesso nos pegou de surpresa”.

Vida imita a arte

Jorge Julião estava trabalhando ao saber da morte de Fernando Ramos da Silva, em 1987. Conta que ficou emocionado e viu as dificuldades de fazer arte em um país como o Brasil. “Fernando não foi preparado para o depois. Sinto que a sua condição familiar era muito ruim e não contribuíram para o menino continuar desenvolvendo seu talento. A sua situação em ser famoso gerava muita inveja local em torno do menino”, opina.

Em 1996 foi lançado o filme “Quem Matou Pixote?” que narra a história de Fernando Ramos da Silva que, após a fama volátil, não consegue mais trabalhar como ator e começa a cometer crimes. Ao repassar a pergunta-título para Julião, declara não saber a resposta. “Não sei responder quem matou Pixote. A situação estava ruim, ele desempregado, uma família para criar e com os sonhos no chão”.


Há quatro anos, o documentário “Pixote In Memorian” participou de festivais de cinema no Brasil e exibiu relatos de atores, familiares e produtores do filme de 1980. Entre eles, está novamente Jorge Julião, que hoje é psicólogo, dá aulas para grupos da “melhor idade” e de teatro. Também é escritor de várias peças montadas e encenadas em São Paulo e Rio de Janeiro.


José Fernando Martins, jornalista em Cuiabá.

24 comentários:

Cláudia disse...

Puxa, fiquei impressionada com o descaso do diretor com o ator Fernando Ramos da Silva. O filme foi o mais premiado, deu fama ao diretor Hector Babenco... e mesmo assim , em momento nenhum se preocupou com o menino, não lhe ofereceu um futuro melhor, nem se quer o acompanhou em sua trajetória, que por infelicidade foi uma desgraça.Poderia o mesmo oferecer-lhe estudo, melhor perspectiva de vida

Anônimo disse...

O filme mostra muito bem a realidade do sistema que nosso país vive.
É pena que não haja uma seriedade em
relação ao período de reclusão dos presos.
Um ótimo filme,e uma péssio diretor como pessoa.
JR.

marco aurelio lobo do vale aurelio disse...

eu nao sei do diretor,dos elecos do filme ou do filme como todo.mas uma coisa e verdadeira que Deus nos deu o livre arbitro ou seja a escolha entre o bem e o mal,o bom e o certo,a luz eas trevas eo ceu e inferno.

Anônimo disse...

Triste saber do descaso de todos os que participaram do filme em relação ao Fernando. O menino foi muito bem usado para a fama de muitos, para projeção nacional e internacional que perdura até hoje.
Entre Pixote, a lei do mais fraco e Quem matou Pixote, não restam dúvidas, sobram demasiados "não sei".
É bom que mostrem o filme para o mundo ver que nossas crianças são usadas como objetos descartáveis neste país hipócrita.

Fenixlee disse...

Desde a morte do garoto que interpretava Pixote, aos 19 anos, com filha pequena, vivendo na miséria, sem apoio nenhum, fiquei com nojo desse diretor Babenco e deixei de ver qualquer filme dele. Acho que ele literalmente usou o menino e depois o descartou como lixo.

Anônimo disse...

Em minha pesquisa a fundo para saber o desfecho e verificar como a anda a vida dos atores do filme hoje, ao saber que o diretor Babenco premiado, e elogiado por muitos, realmente me enoja ao saber sobre o que passa por trás das câmeras.

Anônimo disse...

Neste momento(11/07/2014-3h00) a globo transmite o filme na sessão Corujão. Filme intrigante e muito perturbador mas fantástico. Parabéns! @Dellfig

Anônimo disse...

Gostaria muito de saber o desfecho dos atores e vou pesquisar, nunca tinha assistido este filme, e mesmo assim me encantei com os atores, como eles atuam com naturalidade mesmo sem tantos recursos que hoje existe.

Anônimo disse...

Acabei de assistir como o amigo disse (No corujão na rede Globo) no comentário anterior, nunca tinha visto, quando começou vi a "fotografia" do filme e fiquei curioso em saber como seria esse filme, nunca tinham mencionado pra sobre o filme e a polêmica, premiações e o descanso com o ator Mirim da época. Fiquei impressionado com o drama que relata o filme. Acabando o filme deslia tv e tentei dormir. Mas nao saía da minha cabeça de saber como estaria hj cada atores do elenco, ja que reconheci alguns que ainda são destaques em trabalhos na tv. Sou do ano de 85, fiz uma pesquisa na Internet e achei esse site, e senti a necessidade de comentar, fazendo as contas sobre a perspectiva de vida do ator principal que foi o meu chará, uma das minhas grandes surpresas :) talvez hoje ele estaria com 45-46 anos. A minha conclusão sobre o filme, foge do cinema e se lança a realidade, o descanso do dir em relação ao ator Fernando sobrepôs da ficção à realidade como se desce a continuação das mortes dos personagens no longa e a vida caminhada do ator principal, se entregando a criminalidade e resultando na morte precoce, quem sabe ele não seria um dos mais importantes artista do país?

Att Fernando Oliveira
Gente qqr coisa querendo compartilhar idéias visitem minha página
www.facebook.com.br/nanddinho

Anônimo disse...

Acabei de assistir como o amigo disse (No corujão na rede Globo) no comentário anterior, nunca tinha visto, quando começou vi a "fotografia" do filme e fiquei curioso em saber como seria esse filme, nunca tinham mencionado pra sobre o filme e a polêmica, premiações e o descanso com o ator Mirim da época. Fiquei impressionado com o drama que relata o filme. Acabando o filme deslia tv e tentei dormir. Mas nao saía da minha cabeça de saber como estaria hj cada atores do elenco, ja que reconheci alguns que ainda são destaques em trabalhos na tv. Sou do ano de 85, fiz uma pesquisa na Internet e achei esse site, e senti a necessidade de comentar, fazendo as contas sobre a perspectiva de vida do ator principal que foi o meu chará, uma das minhas grandes surpresas :) talvez hoje ele estaria com 45-46 anos. A minha conclusão sobre o filme, foge do cinema e se lança a realidade, o descanso do dir em relação ao ator Fernando sobrepôs da ficção à realidade como se desce a continuação das mortes dos personagens no longa e a vida caminhada do ator principal, se entregando a criminalidade e resultando na morte precoce, quem sabe ele não seria um dos mais importantes artista do país?

Att Fernando Oliveira
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Barbara R.. disse...

Acabo de assistir o filme tbm na globo,gostei do filme e me interessei em saber como ficou a mente daquele adolescente apos fazer o filme,e procurando por ele descubro q Fernando faleceu, e de uma forma triste assim como acontecia no filme,no filme pixote sobreviveu,porem a vida real foi mais cruel... enfim ,gostei do filme e valeu a pena assistir ate o fim...

KARINA disse...

Assisti ontem na globo no começo não gostei mais depois fui gostando do filme, só não gostei muito do final o Pixote fica sozinho...

Davi Mafer disse...

Esse é um dos melhores filmes brasileiros, se não for o melhor. Esse filme lonçou Hector Babenco para o estrelato. Realmente ninguém deu apoio aos garotos do filme. Onde estão os outros agora? Fiquei surpreso e contente de saber que pelo menos a " Lilica", Jorge Julião fez uma faculdade e é psicólogo. Por mérito dele, pois acredito que apoio de alguém. E os outros? onde andam<

kellyt disse...

Olaa, Fernando. Realmente muito triste mesmo a realidade deste garoto , sem estrutura familiar para lhe orientar e o descaso daqueles que soh querem lucrar, ele nao tinha quase nenhuma chance de se reerguer. Atualmente os policiais envolvidos na sua morte solicitam "reparo" da justiça por ficarem expostos ao julgamento alheio, afinal eles soh estavam cumprindo seus papeis na sociedade.... :( Nao sei como anda o processo, parece que perderam....Bom, entrei no seu face, vi que vc postou tbem sobre uma manifestaçao na mboi mirim, mora perto? Trabalho no jd angela, fiquei com vergonha de adcionar...kkkkkk O meu tá aí , se quiser trocar opinioes eh sempre bom, rsrsrs kelly trimmer gonçalves

Anônimo disse...

Bem síndrome de brasileiro a maioria dos comentários aqui. Acham que deu a mão, tem que dar o braço também. O menino foi contratado pra fazer um trabalho - um filme -, foi pago por isso e pronto. Tinha o diretor que cuidar do menino o resto da vida? Ora, faça-me o favor. Tem um monte de meninos vivendo nessas condições, mas que procuram melhorar de vida. Ficar sentado esperando o governo, a ong, o patrão ajudar é fácil; difícil é se mexer, sair do conforto, querer fazer as coisas melhorarem.

kellyt disse...

Anonimo, nao foi isso que disse. Eu mencionei o fato dele nao ter estrutura familiar para lhe direcionar nos caminhos da vida depois do filme e atentei para o fato de que pessoas se utilizam da carinha de pobre( mas que comove) e do fato de chamar o próprio pixote(e nao um ator) que garantiu um apelo muito maior para o filme....Mais ou menos como fizeram alguns partidos quando se aproveitaram dos protestos do ano passado....A intençao do diretor em questão nao era apoiar o garoto e sim promover o filme. Pixote nao tinha educaçao, formaçao, apoio de ninguém pra se defender desse tipo de pessoas....abraço

Deborah Souza disse...

"Para que o mal prevaleça, basta que os bons não façam nada"

guga viana disse...

Estou esperando que o anônimo nos mostre o grande contingente de meninos que levam uma vida semelhante à de Fernando e que realmente tenham vencido sem qualquer apoio.

guga viana disse...

Estou esperando que o anônimo nos mostre o grande contingente de meninos que levam uma vida semelhante à de Fernando e que realmente tenham vencido sem qualquer apoio.

Anônimo disse...

enquanto criança dá para ajudar, fica trabalhoso e pouco resultado quando atinge a adolescência e a fase adulta.... no caso do Fernando, foi omissão de muitos!

ZNnaLinha disse...

Acabo de rever o filme numa mostra na Cinemateca aqui em SP. Tinha visto na época do lançamento, e sempre o considerei excelente. Agora, 30 anos depois, fiquei impressionado com a sua força e virulência. Um filme corajoso, arrojado, pesado, que mereceu todos os prêmios. Que ironia terrível o destino do Fernando Ramos não ter escapado, como o Pixote escapou no filme, das armadilhas da vida. Quanto à posição do Hector Babenco, não tenho elementos (alguém tem?) para avaliar... Mas o garoto chegou a trabalhar em novelas da Globo. Se não foi adiante, é porque não dava... vida cruel e lírica, dolorida e instrutiva.

Tânia Ferreira - Penso, Logo Reclamo! disse...

O Sr. anônimo gostaria de trocar de lugar com os jovens que estão no "conforto" do qual por "motivo nenhum" eles querem sair? Que absurdo!
Esta é a síndrome do brasileiro pedante que avalia e julga os outros pelo capital econômico, cultural e social que lhe foi oferecido!

Anônimo disse...

Esse filme me impressionou bastante quando o assisti durante minha adolescência. Eu li o livro "Pixote Nunca Mais" escrito pela viúva do ex ator Fernando Ramos da Silva. De acordo com os relatos no livro, ele recebia ajuda do escritor José Louzeiro, autor do livro "A infância dos Mortos" que deu origem ao filme. Fernando trabalhou no filme Gabriela como o garoto de recados, fez algumas peças de teatro. A família ganhou uma casa do governador de São Paulo na época do filme, mas depois de um tempo a venderam e retornaram para Diadema. Alguns irmãos do Fernando eram envolvidos com o crime, e quando ele se viu sem alternativas, também praticou alguns delitos, sendo preso algumas. Ficou rotulado pela personagem "Pixote", sofrendo perseguições pela polícia paulistana. Foi contratado pela Rede Globo e atuou numa novela em que foi demitido por ser semi-analfabeto, desinteressado e incapaz de memorizar os textos. A emissora pagava um apartamento que ele dividia com outros jovens atores. O filme "Quem Matou Pixote" conta uma parte de sua trajetória pós filme. No livro "Rota 66" do repórter Caco Barcellos, a morte de Fernando é narrada em detalhes. No documentário "Pixote In Memoriam" que reúne os atores do filme já adultos e outros integrante, a mãe de Fernando assume que ele foi o responsável por sua derrocada. É claro que não podemos excluir o fato de que o mesmo foi assassinado por policiais militares covardemente, uma vez que estava desarmado e escondido embaixo de uma cama. O diretor do filme e a atriz Marília Pêra o ajudaram algumas vezes, mas Fernando não se ajudava.

Anônimo disse...

A maioria só defende o "ator" pixote, mas...onde ele estava quando morreu? o que fazia? porque estava armado? tenho certeza absoluta que se ele estivesse trabalhando honestamente, poderia até ser morto por bandidos, mas jamais por policiais em serviço...