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1 de mar de 2011

Expedição ao Território Afroboliviano - Projeto Paralelo 15

A expedição ao território Afroboliviano, que faz parte do Projeto Paralelo 15,
teve início na última sexta-feira (25). E como foi combinado, o fotógrafo Mário
Fiedlander nos encaminhará, na medida do possível, as informações para que
possamos acompanhar daqui o dia-a-dia da equipe. É o Diário de Bordo da
expedição. No seu primeiro contato, Friedlander conta um pouco das dificuldades
que a equipe encontrou na

tentativa de legalizar a entrada do veículo no país vizinho. Mas não é só isso,
aos poucos, Mário vai nos apresentando uma Bolívia encantadora, com suas
dificuldades e peculiaridades. Um universo exótico e de um força singular, que
salta aos olhos de quem decide prestar um pouquinho de atenção nesse País tão
próximo e ao mesmo tempo tão distante de nós, brasileiros.



Diário de Bordo

Por Mário Friedlander

Finalmente estou num lugar, limpo, bem cuidado e seguro, falo do Parador Santa Ana-Chiquitos em San Ignacio de Loyola a Capital das Missões Jesuíticas na Bolívia. Ricardo Ortiz, o proprietário e um dinâmico empreendedor na área de projetos que fomentam o turismo na Gran Chiquitania juntou-se a nós, é nosso novo parceiro e nos hospeda com muita hospitalidade.

Estamos no final do segundo dia de viagem e só percorremos 625 km, dos quais 310 km na Bolívia em estradas de terra, lama e buracos, muitos buracos.

Chove bastante e grande parte da Bolívia enfrenta muitas inundações e outros problemas causados pelo exagerado volume de água das chuvas.

Conforme o previsto, entrar de carro na Bolívia é fácil, mas legalizar a entrada do mesmo é um pouco mais complicado, principalmente se você for além de San Ignacio de Loyola. Tentamos o Consulado da Bolívia em Cuiabá e não conseguimos nada, tentamos a Aduana em San Matias mas encontramos a cidade vazia e ressaqueada pela festa de seu 165º aniversário, ocorrido no dia anterior a nossa chegada, também não conseguimos nada. Seguimos então até a próxima Aduana, em San Vicente a 200 km de distância numa estrada inundada em meio ao Pantanal Boliviano, dormimos na Comunidade Ascencion de La Frontera a 80 km de San Vicente e na manhã seguinte tratamos de chegar logo a San Vicente onde mais uma vez não conseguimos nada, só a informação errada de que em San Ignacio a Aduana regularizaria a nossa situação.

Depois de enfrentar mais 110 km de buracos e lama, atravessando lindas áreas de Floresta do Bosque Seco Chiquitano e diversas comunidades encantadoras, finalmente chegamos a San Ignacio e logo, com o apoio do Ricardo Ortiz, procuramos o Comando da Polícia de Trânsito. Como sempre nada poderia ser feito, a não ser continuarmos ilegais mais 500 km em direção a Santa Cruz de La Sierra e lá chegando procurar a Aduana local para regularizarmos nossa situação.

Amanhã faremos isso, sairemos cedo em direção a Santa Cruz torcendo para não sermos barrados por algumas das inumeráveis barreiras da Polícia ou do Exército que estão por toda parte.

Curiosidades:

Desde San Matias enfrentamos péssimas estradas por cerca de 300 km e em todo este trecho quase deserto tivemos a companhia de alguns caminhões levando as últimas unidades de um lote de 750 tratores brasileiros comprados pelo governo da Bolívia e que ficaram estocados no pátio da Aduana em San Matias. Lembrei muito de Mato Grosso e da compra das máquinas realizadas no final do último governo no ano passado, acho que a Bolívia bateu o recorde estabelecido pelo Blairo Maggi, pelo menos no número de máquinas compradas. Agora, na forma do pagamento e outros detalhes administrativos não sei e nem quero saber.

Na Aduana Nacional da Bolívia em San Matias só encontramos o senhor Tomás Rodrigues de 61 anos da Polícia Nacional que cuidava da guarita, ficamos por lá almoçando bananas com bolachinha salgada e esperando os fiscais da Aduana que acabaram não aparecendo. Nesse meio tempo ele nos contou que seu bisavô e avô eram negros de Vila Bela da Santíssima Trindades que chegaram por lá por volta de 1910 mais ou menos e que vieram meio fugidos de uma revolta que tinha acontecido em Mato Grosso e por San Matias ficaram. Seo Tomás se aposenta ano que vem e sonha em visitar a Vila Bela para conhecer os parentes que ele desconfia ter.

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