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14 de fev de 2011

A mulher perfeita já existe. E o homem está sendo aperfeiçoado

*Honéia Vaz

Era para estarmos no apogeu do encontro humano, sexual e sentimental. Muito bem definidos entre os necessários limites e deveres sociais, e as instintivas, mas muito certas, liberdades íntimas. Tão sérios para com nossos deveres com o público e o próximo, quanto respeitosos ao direito de nos exercer livremente no privado.

E, no entanto, uma preferência crescente é a pelos chamados “robôs do sexo”. Pude perceber a celeridade com que este processo avança em uma matéria mostrando três pessoas ‘casadas’ com andróides. Não é mais apenas sexo e agora com a vantagem de se poder fazer uma super e precisa programação para as delícias tecnológicas da alcova.

A mais moderna das versões, criação do americano Douglas Hines, é a Roxxxy, “que fala, reage a toques e possui 5 modos de operação sexual, inclusive um selvagem: S&M Susan (sadomasoquista), Frigid Farrah (tímida e reservada), Wild Wendy (aventureira), Young (garota de 18 anos) e Mature Martha (que vai te ensinar algumas coisas)”, informa o fabricante. Há previsão de que novas programações serão compartilhadas online, em uma rede social a ser lançada.

Acredito que o próximo passo será o avanço maior ainda nas especificações de personalidade influentes no comportamento cotidiano. Creio que haverá pedidos por modelos que mantenham diálogos sobre futebol ou “bate-papo de amigos”, tenham o desconfiômetro de submissamente calar-se a qualquer tempo e sinal de contrariedade do companheiro - principalmente na hora das perguntas sobre relacionamento, não sofram de enxaquecas e TPM, e nem tenham amigas espertas, muito menos esperem conversar logo após a transa.

Estou prevendo também a formalização, e crescimento hediondo, do negócio de produção de cópias de celebridades sensuais e bonitas. Inclusive, atualmente, há uma imensa lista de pedidos pelas “bonecas eletrônicas” da Angelina Jolie e Pamela Anderson, bem como do bonecão Michael Jackson (é isso mesmo), mas o atendimento depende da autorização dos “originais” - mais uma possibilidade de licenciamento de uso da marca?

Do lado das mulheres, para as quais foi criado o gostoso Rocky TrueCompanion, os pedidos devem bater recorde pelo robozão que “faça amor e não sexo” (ainda que nenhuma saiba explicar exatamente, e com confiança, o que é isso, o que vai dificultar o estabelecimento dos critérios de programação do andróide), além de compartilhar várias outras informações de interesses “femininos”, ir ao shopping com elas, e não reclamar da demora no salão de beleza ou indecisão sobre com que roupa ir à festa.

Em meio a toda esta novidade, e tantas possibilidades a se desdobrar, achei dois fatos engraçados e muito paradoxais. Primeiro que a maioria das popozudas robóticas (sim, elas são lindas!) disponíveis para encomenda no atual mercado não falam. E elas são mais baratas do que a Roxxxy, que fala. Mas sei de homens que aceitam pagar mais caro pelo luxo de ter justamente uma caladinha de alta performance sexual. “Mulher fala demais”, justificam eles.

Segundo: a fábrica coloca como ultramoderna tecnologia o fato de a Roxxxy simular orgasmo...Olha, que novidade...Não é? Eu fiquei me perguntando: para que aconteça o orgasmo da Roxxxy, seria preciso acionar um ‘botãozinho’? Revolucionária esta Roxxxy, hem? Mulher moderna é mesmo outro papo...Muito prática para o homem, não é...? Eu só posso mesmo, como boa perdedora, dar os parabéns à concorrência e reconhecer que essa mulher é perfeitamente insuperável.

De qualquer forma, Roxxxy e Rocky estão à venda no site ‘Truecompanion.com’ (apenas para maiores de 18 anos), custando cerca de 9 mil dólares o modelo feminino (fora despesas de envio para o Brasil) e sendo bem mais baratinho o masculino. Acho que é por que a Roxxxy possui módulos de personalidade à escolha do consumidor, e homens atestam sua perfeição como robô sexual.

No caso de Rocky, parece que a fábrica terá que desenvolver ainda mais versões para atender às idéias e perspectivas das mulheres a cerca de sexo. É certo que há originais que concorrem perfeitamente com Rocky, dificultando que as mulheres abram mão dos modelos tradicionais. Mas, a TrueCompanion estuda formas de ganhar cada vez mais mercado, convencendo ao público feminino que a novidade é muito mais interessante. A concorrência, antes acirrada apenas para o lado feminino pela ampla disponibilidade da mesma espécie, ai igualmente vai começar a pressionar o lado masculino, com alta tecnologia disponível.

E se há algo que não mudou, mesmo quando o assunto é antecipação do ‘futuro’, é que negócio é negócio e a preferência do consumidor continua ditando o sucesso do produto e serviço. Sobre mulheres e homens, as incertezas superam as certezas, e há muito mais desencontros que verdadeiros encontros.

Mas, há esperança de que a situação “evolua” na mesma proporção dos lançamentos de mercado, pois seguir uma determinada programação sexual, e dispor de módulos de personalidade em acordo com o “pedido”, ou dentro do padrão melhor aceito, não é exclusividade de Roxxxy e Rocky. Nós, os humanos, estamos quase perfeitos nisto.

Honéia Vaz é jornalista em Cuiabá-MT

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