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28 de ago de 2009

Liberdade sim, pero no mucho






Saia às ruas de Mato Grosso Gilmar Mendes! Ouça o que o povo tem a lhe
dizer. Este povo que está unido pela construção de uma sociedade livre, justa e
solidária, diferentemente do senhor, esse povo continua respeitando o Artigo 3ª
da nossa Constituição Federal, que determina esse objetivo fundamental.

Por Alcione dos Anjos*

O Sindicato dos Jornalistas de Mato Grosso (Sindjor-MT), aproveitando a possível vinda do mato-grossense e presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Gilmar Mendes, a Cuiabá nessa quinta-feira (27), divulgou nota pública manifestando a insatisfação da categoria com as decisões do STF, em especial, que diz respeito a desregulamentação da profissão de jornalismo, já que no dia 30 de abril deste ano, o plenário do STF declarou inválida, por sete votos a quatro, a Lei de Imprensa, de 1967. No dia 17 de junho, o mesmo plenário decidiu eliminar a exigência do diploma de jornalismo para o exercício da profissão.

O ministro não veio, mandou uma gravação em vídeo transmitida durante a abertura do 1º Encontro Nacional das Comissões de Constituições e Justiça das Assembleias Legislativas e Câmara Municipais.

Mas, a nota foi feita e enviada a todos os jornais e sites, e mesmo sendo assinada por 18 representantes dos movimentos sociais, foi ignorada pela mídia mato-grossense. Alias, como vem ocorrendo pelo Brasil a fora, já que Gilmar Mendes é alvo constante de manifestações de desagravo por todo o canto, não apenas por conta da cassação do diploma de jornalista e a ameaça de desregulamentar outras profissões, como também pela constante defesa da minoria classe privilegiada desse país: a elite brasileira.

Um dos episódios, que evidência essa defesa, ocorreu quando o ministro ‘mandou soltar’ o banqueiro do Opportunity, Daniel Dantas, acusado de crimes financeiros descobertos na Operação Satiagraha da Polícia Federal. Nessa época, foram presos e expostos nos veículos de comunicação o banqueiro Dantas, o investidor Naji Nahas e o ex-prefeito Celso Pitta, entre outros. Todos estavam algemados. Surgiu logo depois disso a edição de uma súmula do STF, determinando que presos e réus não podem ser algemados, em exposição pública.

Em Santos, Campina Grande, Aracaju e Porto Alegre houve manifestações contra o ministro Gilmar Mendes no último mês. Os protestos ecoaram, também, na Jornada Nacional Unificada de Lutas realizada por centrais sindicais e movimentos sociais nesse mês. Infelizmente, a maioria da população não chega a saber desses fatos porque o ministro é blindado pelo silêncio da dita grande mídia, que não divulga manifestações contra o ilustre magistrado. A nota do Sindjor-MT avaliou que para essa pequena classe, sempre protegida pelo ministro, a visita dele pode até ser motivo de festa. E sentencia: “Porém, para nós, dos movimentos sociais, trabalhadores, jornalistas, professores, sem-terra, afro-descendentes, mulheres, crianças, favelados, desempregados e todos que sofrem, mais ou menos, nas mãos desse modelo perverso e desigual de país, onde não há justiça, este homem não é bem-vindo”.

Eu completo a nota dizendo: Saia às ruas de Mato Grosso Gilmar Mendes! Ouça o que o povo tem a lhe dizer. Este povo que está unido pela construção de uma sociedade livre, justa e solidária, diferentemente do senhor, esse povo continua respeitando o Artigo 3ª da nossa Constituição Federal, que determina esse objetivo fundamental.

Apesar das dificuldades, a blindagem midiática a Mendes foi rompida algumas vezes, por veículos que não são tão conservadores. No ano passado, quando reportagem da revista Carta Capital (de 19 de Novembro de 2008 - Ano XV Nº 522) revelou que em Diamantino, onde nasceu, terra de um povo humilde e sofrido pelas oligarquias e o desmando de latifundiários, Gilmar Mendes usou sua influência política para eleger o irmão, Chico Mendes.

A blogosfera é outro campo que tenta romper o silêncio dos mandos e desmandos desse mato-grossense que chegou ao cargo mais alto da mais alta corte judicial desse país e agora, parece deslumbrado com o poder.

A tal liberdade de imprensa, argumento usado por Mendes para defender a queda do diploma de jornalismo, só vale para aqueles que pensam da mesma forma que o ministro, como a ‘poderosa’ Rede Globo. Para o Blog Conversa Afiada, do jornalista Paulo Henrique Amorin, que denuncia os abusos do magistrado, o pensamento é outro.

Mendes entrou com uma representação no Ministério Público Federal contra o Conversa Afiada, para calar o jornalista. A revista Isto É também está sendo processada pelo ministro. Não é de se estranhar? Um paladino da liberdade de expressão quer calar quem põe o dedo na ferida e tapar os ouvidos para o apelo popular. Este é o atual presidente do STF.

*Alcione dos Anjos é jornalista diplomada e está exercendo o cargo de Tesoureira do Sindjor-MT

Um comentário:

Keka Werneck disse...

Ex-ce-lente Alcione. Bjo