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22 de jul de 2009

O Diploma da Discórdia!


Talvez o diploma de graduação, aquele pedaço de papel, serve somente para provar o que todo profissional graduado diz. Por isso não considero esse pedaço de papel assim tão expressivo, mas o que e quanto eu estudei, o tempo que levei para eu ter esse pedaço de papel, isso sim merece atenção e respeito.

O assunto que alvoroçou a comunidade jornalística nos últimos dias foi a decisão do STF em derrubar a obrigatoriedade do diploma de Jornalismo para o exercício da profissão. Pois bem, a maioria dos colegas [formados] esbravejou, protestou, se revoltou, digam-se de passagem os mato-grossenses...praticamente se rebelaram contra o conterrâneo Gilmar Mendes...pessoal, deixem estar...o tempo, como diz minha avó, resolve tudo em seu tempo...

O fato é que sem o diploma, nem todos conseguirão exercer a profissão, uma vez que para isso os jornalistas por experiência - sem desmerecer ninguém, mas falando das estrelas de plantão das redações a fora – precisarão conhecer algumas técnicas que só aprendemos na academia...Ah! Eis a questão: a academia é que vem antes do diploma...daquele que não é mais exigido, lembram?
Certo dia recebi um e-mail intitulado “Não precisa de diploma para ser jornalista? Então faça o teste.” Parte do teste era mais ou menos o seguinte: “Sem pesquisar sobre os termos faça um editorial e um texto jornalístico com o tema ‘O STF e o diploma de jornalista’, pré-diagramado em Page Maker, corpo 11, em meia página de quatro colunas, com foto e legenda, de duas laudas, sem nariz de cera, com lead e sublead, uma suíte para um box, com um olho, título com bigode, não pode ser artigo, se trata de uma matéria jornalística. Alguém [sem formação] quer tentar???

Colegas [formados] percebem como a questão não é assim tão simples? Não é apenas alguém sem formação começar a escrever um texto ou pensar em uma pauta para TV que a função de jornalista estará bem exercida. Sem conhecimento de base, teórico, será difícil dar qualquer passo, do tamanho certo é claro, em uma redação.

Também fiquei revoltada com a decisão do STF, mas depois que recebi esse e-mail comecei a rir e me dei conta de que não será assim tão fácil alguém sem formação e que vai prostituir o trabalho ficar com meu posto. Agora pergunto aos jornalistas por experiência: se o diploma não é assim tão necessário, porque é que os melhores, mais bem pagos e mais concorridos concursos públicos do país com vagas para jornalistas exigem a graduação, a formação acadêmica, inclusive com comprovação pelo diploma registrado no Ministério da Educação? Como, por exemplo, o concurso da Fundação Hospitalar de Minas Gerais, com quatro vagas para jornalistas e salário de R$ 4.391. Sem contar que as provas exigem conhecimento em dimensões teóricas e práticas da notícia e da reportagem; redação e edição do texto jornalístico; conceitos e funções da comunicação pública e da comunicação política; ética jornalística; teorias da notícia e do jornalismo; critérios de noticiabilidade, newsmaking, gatekeeping, agenda setting...conceitos...teorias...critérios...conceitos...teorias...teorias...Alguém se arrisca a competir comigo ou com qualquer outro Jornalista por Formação???

Tauana Schmidt. Jornalista graduada pela Faculdade Cenecista de Sinop – Facenop.

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