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9 de fev de 2009

Você escolhe!

Camila Tardin
Especial para o Diário de Cuiabá

Dia desses alguém me perguntou o que era felicidade. Oh perguntinha cretina essa! Minha vontade era responder: “procure no dicionário!”. Mas, depois de alguns segundos de reflexão, cheguei à conclusão que nem os dicionaristas Aurélio Buarque de Holanda Ferreira e Antônio Houaiss, com o perdão da minha indelicadeza, definem na essência esse substantivo feminino tão abstrato e algumas vezes raro.

As perguntas aparentemente mais óbvias são sempre as mais difíceis de responder. Hoje, tenho a impressão de que aparentamos mais felicidade do que a vivemos com intensidade. Pensei nessa turbulência de informações às quais somos obrigados a nos adaptar e nesse mundo virtual que consome e mascara nosso comportamento real. Colocamos mil fotos no orkut ou fotolog para expor as viagens mais incríveis, as baladas inesquecíveis, os amigos mais divertidos e os namoros bem-sucedidos. Ninguém sabe o que aconteceu antes ou depois daqueles cliques. Ainda bem!

Há alguns anos, se alguém perguntasse para uma adolescente de 15 anos o que era felicidade, ela talvez responderia: “ir para a Disney”. Menos mal, além de conhecer um outro país, aprenderia outro idioma e faria novos amigos. Agora, tenho dúvidas sobre as possibilidades de resposta, embora creia que uma delas seria: “colocar silicone”. Mal sabem as coitadas que o câncer de mama está aí, pega qualquer uma de surpresa (infelizmente tão comum como uma gripe) e não escolhe mais idade, muito menos cor, religião, estado civil ou status social. O Ministério da Saúde e os médicos não advertem sobre essa doença como deveriam e, nas poucas vezes que isso acontece, precisariam assustar essa garotada em vez de só alertar.

Não sei como ainda não inventaram (se existem, estou desinformada) os “peitologs”, “bundalogs” ou “abdomenlogs” para expor na internet, por meio de fotos, os peitos, bundas e abdomens mais turbinados do Brasil. Já pensou? Um concurso miss peituda ou bunduda? Será que já existe e é mais uma novidade sobre a qual, graças a Deus, não estou sabendo?

Hoje, para mim, felicidade é inspirar saúde e expirar os medos e desilusões. É o prazer de estar na estrada, de sentir o vento na cara, de jogar conversa fiada e de rir de madrugada. É dizer não quando convém e sim quando não há desdém. É compartilhar segredos com as irmãs tendo a certeza de que elas trancam as informações num cofre e jogam fora a chave do cadeado (ai delas se não respeitarem esse pacto!). É tirar uma soneca num domingão à tarde para não ter que ouvir a voz do Faustão. Ou tomar um sorvete com sua avó maravilhosa e descobrir as peripécias do passado dela. É caminhar no parque mesmo com esse calor insuportável de Cuiabá. É ir ao cinema, de preferência acompanhada, mas se não der, paciência, vá sozinha, poxa! É rever um amor platônico da infância, aceitar o friozinho adormecido na barriga e não sentir vergonha disso. É escutar o mesmo CD numa tarde de sábado e não se importar com os ouvidos dos vizinhos. É olhar no fundo dos olhos sem desviar do foco. É admitir a timidez, mesmo sabendo que algumas vezes ela atrapalha... É cair e depois levantar com naturalidade, como as crianças fazem e como você também fez na infância. É coragem para errar e ânimo para ajustar. É comemorar uma vitória importante, principalmente quando se trata das pessoas que você mais ama na sua vida – a família –, brindar com os amigos e, por que não, com os desconhecidos. Para mim, são inúmeros os significados de felicidade. Levaria uma eternidade para responder. É por isso que “o alguém” teve que se contentar com a minha curta e grossa resposta: “felicidade é o que você escolhe”.

*Camila Tardin é jornalista em Cuiabá e colabora com o DC Ilustrado (camilatardin@yahoo.com.br)

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