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NOVO PISO: Jornalistas e patrões firmam acordo coletivo de 2017

Da assessoria Após seis rodadas de negociação, mediadas pela Superintendência Regional do Trabalho e Emprego de Mato Grosso, o Sindic...

30 de jul de 2008

Jornalista não precisa estudar?


*Thaís Raeli

A formação acadêmica do jornalista não passa somente pela questão técnica das cadeiras da faculdade, passa pela formação ética. É algo que vai além de saber falar, ler e escrever é o peso na consciência que nos dá freio quando damos projeções aos temas que chegam à sociedade. Sermos olhos e ouvidos do povo nos pesa nas costas a responsabilidade de sermos o quarto poder.

O Supremo Tribunal Federal (STF) tem nas mãos a responsabilidade de desmerecer nosso trabalho e dar ao lobby patronal mais uma vitória. A falta do diploma de jornalista só impulsiona a queda dos nossos salários na troca de qualidade por quantidade. Na selva de pedras, a competição no mercado de trabalho se atrelaria, de forma pura e simples, ao crescimento dos lucros dos meios de comunicação. Jornalistas mais baratos.

Em todo o tempo a educação é o alvo das discussões. Critica-se a insuficiência do ensino, estipula-se cotas nas faculdades para a desigualdade social e na contramão, elimina-se dos corredores universitários os comunicadores, aqueles que dão voz e contam a história em seu tempo real.

Mas é fácil de entender. Numa realidade palpável em Mato Grosso, nossos legisladores, esses mesmo que estão, de alguma forma, em campanha este ano, defendem médicos, professores, policiais, mas não defendem nossa categoria. Muitos querem negociar nosso preço e nos propõe contratos aquém de nossa categoria. Não respeitam nosso piso salarial e nem nossa carga horária. Isso é o mínimo que poderiam fazer. É fácil quando se tem mais oferta do que vagas. É fácil quando se tem uma categoria desmobilizada.

Não valorizar a educação dos jornalistas é gradativamente ter controle em cima daqueles que questionam, entre tantos, o poder público. É uma ditadura subliminar que vai ser refletida em longo prazo, nos tornam sem conhecimento para assim sabermos menos que eles. É a imprensa marrom se consolidando e a informação em escala industrial.

Mas enfim, com ou sem voz, a disputa é com eles: Os patrões. Sejam dos setores público ou privado, são sempre eles. O homem nasce bom e a sociedade o corrompe, ou seja, o homem através da história torna-se mau. Nos bastidores da notícia, será que o Supremo dará início à guerra das canetas, dos teclados e dos microfones? Sem graduação, os jornalistas também não terão pós-graduação, nem mestrado, nem doutorado, nem nada. Iremos para o embate com menos armas para enfrentar os três poderes que nos antecedem: Executivo, Legislativo e Judiciário.

*Thaís Raeli é jornalista em Cuiabá

4 comentários:

Maiara disse...

Concordo plenamente com essa postagem.
Estou completamente indignada com tudo isso q está acontecendo...
estou no 2º semestre de Jornalismo, mas sinceramente, essa proposta de derrubar o diploma nem deveria existir...Além de desvalorizar completamente aqueles q já são formados,irá começar como a autora do texto disse, "uma guerra de canetas", pois mesmo aqueles q não estão preparador poderão exercer e concorrer ao mesmo cargo dos proficionais que tiveram o interrece, se sacificaram, muitas vezes pagaram absurdos de mensalidades, se privando durante 4 anos de suas vontades pessoal para se dedicar a algo, e derrepente vai tudo ao ar, e aperece um outro que pode ser que nem tenha o ensino médio completo vá lá, ganhe o mesmo salário, e talvez até ocupe sua vaga...

QUE PAÍS É ESSE?

claudia disse...

simone..
Concordo plenamente também.
Estou querendo ingressar na faculdade de jornalismo, mas as vezes me desanima de ver tanta desigualdade nessa classe que trabalha muito e é tão pouco remunerada, são críticados a todo momento,e não são valorizados como se deveria.
Quando se ingressa em uma faculdade, você espera mais aprendizagem, para sair de lá com uma bagagem boa para o mercado de trabalho.Mas sabemos que a realidade é outra, se você não tiver ''pistolão'' ou uma boa formação, fica na espera até sabe lá quando para ser chamado.A preocupação é grande, e as providências devem ser tomadas, pos uma faculdade é pra vida inteira, e um profissional deve ser valorizado sim como ele merece, e não do jeito que os ''homens'' querem...

ANDRÉ disse...

Concordo, mas, algumas observações:
Profissionais é com dois esses e não "c", e de repente"...não mais que de repente" (aliás), é separado!Ah... O interesse é assim! E não do jeito que vc escreveu! Vou sugerir Érico Verríssimo, bastante Machado de Assis e um pouquinho de Rubem Alves!

Douglas disse...

Os erros de portugûes da estudante são o reflexo da deficiência do ensino. Isso dá mais sustenção à obrigatoriedade do diploma universitário. Na Suiça até para ser cabelereiro precisa-se passar pelo banco da faculdade....