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NOVO PISO: Jornalistas e patrões firmam acordo coletivo de 2017

Da assessoria Após seis rodadas de negociação, mediadas pela Superintendência Regional do Trabalho e Emprego de Mato Grosso, o Sindic...

24 de jun de 2008

O lado perverso das empresas de comunicação

É surpreendente como a certeza da impunidade está presente em nossa sociedade. Nos veículos de comunicação, em que pese a lenda de responsabilidade, de cobrança pelo que é certo e honesto, de transmissores da verdade, não é diferente. Ali a certeza da impunidade também reina, talvez com força ainda maior!

Em outubro do ano passado, conforme matéria veiculada pelo Consultor Jurídico, a TV Globo foi condenada pela morte de um repórter que acumulava a função de motorista. Nesse caso, a família entrou com ação por dano moral.

Talvez por desinformação, o que seria estranho em se tratando da Rede Globo, ou simplesmente por ignorar totalmente os direitos dos trabalhadores, a afiliada da Rede Globo em Mato Grosso – TV Centro América – insistiu até o último minuto das negociações referente à campanha salarial 2008 para que o Sindicato dos Jornalistas aceitasse uma cláusula na qual o repórter teria que dirigir “eventualmente” os veículos de reportagem.

Isso, além de dano moral como o exemplo acima, é acúmulo de função e dano material, já que, pela proposta defendida veementemente pelo senhor Zilmar Melatte, quem arcaria com as possíveis multas seria o próprio repórter. “Eu pago as minhas multas, por que o repórter não pode pagar?”, questionou ele diante da procuradora do trabalho. “E se vocês tivessem que ir para as pautas de ônibus?”, insistiu, como se a obrigação de fazer com que a equipe chegasse ao local da reportagem fosse do repórter e não da empresa.

Eu me pergunto como uma empresa tem a desfaçatez de fazer tal proposta, e insistir, diante do Ministério Público do Trabalho, depois de a procuradora falar com todas as letras que isso é acúmulo de função, que é proibido! Mas a TVCA quer porque quer que jornalista vire motorista. Penso também em todos os motoristas que perderiam seus postos de trabalho caso esse absurdo vire prática.

Mas este é só um caso. O Grupo Diário de Cuiabá, por exemplo, não bastasse os mais de 12 anos de atraso salarial, agora diz, também diante da procurada do trabalho, que não têm sucursais e nem filiais em cidades do interior de Mato Grosso. É muita cara de pau! Eles querem enganar quem?

Ou diretor Gustavo de Oliveira não tem conhecimento do que administra ou não tem receio em orientar o seu advogado a mentir na cara dura. Basta ler em cada um dos jornais do Grupo DC as suas respectivas sucursais, ta lá, pra quem quiser ver e enxergar!

E como se não bastasse, o Gustavo dá uma entrevista em que fala de um investimento de R$ 2 milhões em Rondonópolis e diz que o Grupo DC anda de vento em poupa. E eu pergunto: e os trabalhadores do Diário de Cuiabá, com seus salários atrasados andam como?

Esse descaso e essas propostas indecentes nada mais são do que a certeza da impunidade! Estão propondo e fazendo coisas erradas porque nunca foram punidos por isso!

Até quando a categoria vai agüentar isso? Até quando vamos ver nossa dignidade sendo pisoteada em benefício dos patrões e seus impérios? Poderia dar outros exemplos aqui, mas deixo para os próximos artigos e para os outros colegas que sofrem ou sofreram isso na pele, ou mesmo para aqueles que se solidarizam com a situação dos colegas de profissão.

Jornalista é trabalhador minha gente! É isso que somos! T-R-A-B-A-L-H-A-D-O-R-E-S! E temos que exigir respeito! Somos nós os responsáveis pelo produto principal dessas empresas!

Não conseguimos acordo coletivo. Então vamos à Justiça! É só assim que conseguimos garantir nossos direitos nesse meio que arrota a bandeira da justiça social e dos direitos dos trabalhadores. Sim, desde que não sejam os trabalhadores do jornalismo, é claro!

Márcia Raquel é jornalista e tesoureira em exercício do Sindjor-MT

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