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NOVO PISO: Jornalistas e patrões firmam acordo coletivo de 2017

Da assessoria Após seis rodadas de negociação, mediadas pela Superintendência Regional do Trabalho e Emprego de Mato Grosso, o Sindic...

24 de jun de 2008

Empresários das comunicações querem transformar jornalista em motorista e não assinam acordo

AGORA É DISSÍDO !!!
Durante esta campanha salarial de todos nós, jornalistas, neste ano de 2008, duas outras profissões foram associadas à nossa. A de garis, citada pelo advogado do Diário de Cuiabá, Célio Garcia, na primeira rodada de negociações no MPT. Segundo ele, jornalistas e garis têm a mesma importância social. Com o que concordo, cada qual no seu papel, e complemento: os dois andam em meios não muito assépticos. E a de motorista. Essa última por conta dos momentos finais no processo de negociação, que avalio que terminou ontem, com a última negativa dos patrões. Não, eles disseram. E nos forçam a ir ao dissídio, levar para a justiça definir nossas vidas, o piso, reajuste. O motivo do entrave: eles querem porque querem que conste em acordo coletivo que jornalistas devem dirigir carro de reportagem. Pode?

Gente, gente, essa luta é nossa, heim!

Se bater com o carro, que se vire com os danos, pague; se ganhar multa na correria de chegar com a matéria, arque com o ônus; se morrer num acidente de trânsito, o jeito é enterrar.

Os patrões dos meios de comunicação chegaram a oferecer R$ 1.1 mil para o interior e R$ 1.3 mil para a capital. Batemos duro, pessoal, fizemos o que deveria ser feito. Mas eles não aceitam pagar piso único. Com isso, fica subliminar o entendimento deles de que o jornalista na capital tem uma força de trabalho diferente do interior, o que não é verdade. Alegam, formalmente, que arrecadam mais em Cuiabá, com publicidade, do que em outras cidades de Mato Grosso. Isso é um problema empresarial e não de categoria. A nós cabe entender que somos uma categoria só, somos todos jornalistas, de jornal, de TV, de rádio, de sites, de assessorias, de outros espaços de trabalho, da capital ou do interior.

Gente, gente, jornalista não é artista, é trabalhador !!!

O sindicato propôs por fim R$ 1.250. Piso único. Uma flexibilização grande, já que começamos a campanha, em janeiro, com R$ 2.1 mil de piso, lembram-se? Em assembléia geral, na última que teve a categoria aprovou o banco de horas, instrumento com o qual fizemos a flexibilização com os patrões. Ok. Não adiantou. Todos os quatro grupos contra os quais o Sindicato agora prepara o dissídio querem, e concordam, que jornalista tem que, além de ganhar essa mixaria aí de R$ 1.250 de piso, dirigir carros de reportagem.

Enquanto isso, os meios de comunicação estão aí para a gente ver quem são. TV Centro América, ferrenha defensora de jornalistas ao volante já!, isso por meio do diretor Zilmar Melate e do advogado da empresa, Fernando Mancini, que, diga-se de passagem, gritou bastante durante as rodadas de negociação, deu com dedo na cara de jornalistas, chamou uma das rodadas de "palhaçada", tem gravação com todo esse circo montado, para desarticular, abalar e desrespeitar os que ali estavam dispostos a tratar da vida de tantos trabalhadores. Grupo Gazeta, Diário de Cuiabá, Folha do Estado.

AGORA É DISSÍDIO, não tem outro caminho. A justiça dirá, né gente, e a justiça nem sempre é justa. Estamos correndo este risco, mas eles correm também. É rezar para cair nas mãos de alguns desses juízes que fazem a diferença.

Agora, é expor nossa bandeira, para que a sociedade a conheça melhor. E para que a justiça sinta o termômetro da categoria.

Abraços, gente.

Qualquer dúvida, liguem para o sindicato, tem reunião sábado, 14 horas.

Keka Werneck, é jornalista e presidente do Sindjor-MT

Um comentário:

Rose disse...

Alguém já viu médico dirigir a ambulância? Magistrado carregando o bandido até a audiência? A petulância dos "donos da mídia" é uma afronta. Para as TVs, chega ser ridículo, pois administram uma concessão pública. Ainda hoje eu disse a um colega: vou estudar para concurso, chega! Então ele me respondeu por que havia escolhido jornalismo. Poderia até na condição de médica ou uma simples bacharel em Direito ser chamada de "doutora", mas optei por um caminho mais difícil, menos rentável economicamente. Amo o que faço. Talvez entenda a angústia dos professores brasileiros, que como nós jornalistas, aguentam a bucha para serem tratados como gente de segunda categoria. Gente esta que acaba escrevendo a história de toda uma nação a partir de sangue, suor e lágrimas, alguns passam fome, porque há veículos de comunicação em Cuiabá que sequer pagam salário em dia e trocam o nome da empresa para fugir de processos trabalhistas. Pagar uns e deixar outros sem salário? Por mais cruel que pareça, isso é uma prática comum em algumas empresas. Sinceramente, ir à Justiça não é pior do que aguentar tanta palhaçada com a cabeça baixa. Sem piso, pode ser, mas com dignidade! Parabéns para todos os colegas da Diretoria.